Sempre nos disseram que saberíamos quem era o nosso
the one quando estivéssemos na presença dele. Hoje o
Paulo disse que acreditava no amor para sempre. Mas eu pergunto: “então porque não nos ficamos pelo primeiro?” Ou o primeiro não é amor, nem o segundo? Só o que durar para toda a vida é o verdadeiro? Como sabemos responder a isto? Como sabemos viver com isto?
Quando amamos uma pessoa, não verdadeiramente – porque ou se ama ou não se ama, não se ama mais ou menos -, queremos acreditar que é para sempre. Projectamos um futuro em conjunto. A pessoa é a nossa mais-que-tudo. Momentos passados, discussões acesas, pazes feitas, novas discussões, ah e tal afinal isto não está a resultar, é melhor ficarmos por aqui. Lá se vai a perspectiva de amor para a vida inteira. A vida é uma merda. Entram pessoas na nossa vida que saem pelo lado errado. Deixam marca. Moldamo-nos à sua imagem e elas à nossa (sim, porque eu acredito que as pessoas têm que se moldar, ceder, aprender a conviver).
Depois vem outra pessoa. E pensamos que esta é que é. Como pude andar enganada tanto tempo. Onde é que tu andaste até agora? Férias juntos. Viver juntos quase todos os duas. Lavar os dentes ao mesmo tempo. Rir de nós próprios. Dizer as mesmas frases um ao outro quase ao mesmo tempo. A certeza de que aquela mensagem vinha mesmo a caminho. Um dia viajamos, conhecemos casualmente alguém. Estabelecemos contacto inocente, que a partir de certo momento sabemos não estar correcto. Porque temos quem nos preencha. Mas não nos deve completar tanto assim, caso contrário não olharíamos com olhos de querer para ninguém mais. Lágrima aqui, peso na consciência ali, afinal tu não és tudo para mim.
Sem querermos estamos apaixonados de novo. É desta, só pode. Não há nada em ti que eu não goste. Comparando (sim…sempre comparando, mesmo que involuntariamente) com os anteriores, tu és ideal para mim. Eu sou ideal para ti. Sem excessos. Sem muito romantismo, que as horas de trabalho excessivas não dão para essas coisas. Vamos viver juntos. Dividimos a renda, o mau feitio, o calor debaixo da cama quando nos deitamos exaustos. Dividimos banalidades. Dividimos tanto que precisamos trabalhar mais ainda para não convivermos tanto. Chagamos a casa e há um tampo da sanita levantado. Há um pacote de leite fora do frigorífico. O mundo acaba. Não suporto mais viver com esta pessoa. Nem ela comigo.
Vamos sair à noite para beber um copo com uns amigo e trocamos o número de telemóvel com alguém que delicadamente nos delicia com a sua simplicidade e modo de falar que não leva a querer que queira meter-nos no carro e levar-nos imediatamente para a cama. Ficámos interessadas, curiosas. Não o conheço e sei que podemos ter um futuro em conjunto. Passa um dia, passam dois, o número foi mal trocado e o nosso entendimento torcido.
Estamos descontraídos em casa e recebemos uma mensagem de alguém por quem já perdemos a cabeça, alguém de quem já guardámos milhares de recordações, bilhetes de cinema, de concertos, uma fotografia. Alguém que já tínhamos arrumado na prateleira. Não deu. Não era para ser. “Dei por mim a pensar em ti. O que é que se passou connosco? Não sei… Mas tenho saudades.” Revivalismo. Sofrimento de jovem revisitado. Ainda bem que não me atirei da ponte. Como é que eu ia adivinhar que ao fim destes anos todos iria acabar com a minha paixão do secundário? Mas só podia. Tínhamos tudo para dar certo. Estávamos destinados. Óbvio. “Perdoa-me a mensagem que te mandei. Estava confuso. Desentendi-me com a minha namorada e confundi tudo.” Os dois têm escrito nas mãos, dadas, CONFORMISMO. Mas mais vale ter alguém de quem se goste, do que não encontrar quem se ame.
O nosso melhor amigo sempre nos amou. Ou melhor, só é nosso melhor amigo porque nos ama e faz tudo por nós. Será que o verdadeiro amor está mesmo à minha frente e eu ainda não reparei? Vamos dar-lhe uma oportunidade. Veremos se não é isto que precisamos. Estamos. Não é mau de todo. É sempre bom ter alguém que nos dê o mundo. Mas não pode ser. Tu amas-me. Eu gosto de ti. Tu não fazes tremer nadinha cá dentro. Tu não me tiras o apetite. Oh… Perdoa-me. Nunca te quis magoar. Passamos anos a tentar fazer com que nos desculpe. Nunca mais.
Em trabalho conhecemos alguém fantástico. Alguém que nos mostra que o mundo é muito maior do que acreditávamos. Vamos fazer amor. Daquele experiente. Daquele sábio. Daquele que vicia. Daquele que nos faz felizes por não termos mais vinte, ridículos e presunçosos, nem trinta, conformados e presunçosos, anos. Vamos casar. Ainda bem que esperei tanto tempo. Eu sabia que havia algo genial à minha espera. Toda a gente me tinha dito que a minha vez chegaria quando menos esperasse. Casamos. Temos filhos. Temos problemas. Temos amor, compreensão, respeito. Afinal já só temos amizade. Afinal é só carinho. Afinal já não consigo dormir na cama onde tu dormes. Porquê?
Quando vamos no último, percebemos que não deve ser o último e provavelmente carregamos a dor de todos desde o primeiro. Porque não o encontramos à primeira? Porque dizemos coisas a uma pessoa que gostaríamos de ter dito a outra? Qual deles é para sempre? O que é para sempre será algum dos correspondidos? Pode não ser…